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Guia Completo das Estatísticas Stati

Este guia explica cada fundamento que a Stati registra na coleta ao vivo (scout), o que o número significa na prática e por que esse dado ajuda atletas e equipes a evoluir com base em evidências — não só na impressão do jogo.

Por que medir cada fundamento?

Pesquisas em voleibol de alto rendimento associam saque, recepção, ataque e bloqueio à chance de vitória. Erros de recepção e ataques bloqueados pelo adversário, por exemplo, reduzem significativamente a probabilidade de ganhar a partida em ligas profissionais (Peña et al., 2013).

Para o atleta

  • Feedback objetivo após cada jogo, set ou temporada
  • Metas claras (ex.: reduzir erros de saque, subir média de recepção)
  • Comparação da evolução ao longo do tempo, não só “jogou bem ou mal”
  • Autoconhecimento por posição: líbero foca recepção/defesa; oposto em ataque

Para o time

  • Decisões de escalação e substituição baseadas em tendências reais
  • Identificação de padrões (ex.: queda de recepção após sequência de saques)
  • Planejamento tático contra adversários específicos
  • Comunicação da comissão com linguagem comum (mesmos critérios de coleta)

Saque

O saque inicia o rally. Sua qualidade pressiona a recepção adversária e influencia a organização do ataque rival. Estudos apontam o saque como um dos fatores que mais discriminam vitória e derrota em competições de elite (João et al., 2010).

Ace

Saque que resulta em ponto direto, sem toque de recepção válido do adversário.

Benefício: mede pressão ofensiva no saque; atletas com alto índice de aces são candidatos a abrir rodízios ou fechar sets.

+1 ponto

Erro de saque

Falta no saque (rede, fora, ordem incorreta etc.) que entrega ponto ao adversário.

Benefício: controlar a taxa de erro evita “presentes” de pontos; essencial para equilibrar agressividade e consistência.

+1 adversário

Saque em jogo

Saque válido que entra em jogo e gera rally, sem ace nem erro.

Benefício: mostra saques que mantêm a bola viva e forçam a organização adversária — base para calcular eficiência e sucesso do saque.

Continuidade

Recepção (passe)

A Stati usa a escala 0 a 3, alinhada ao sistema de avaliação de recepção mais difundido no scouting internacional (Sistema Coleman). Cada nota reflete quantas opções de ataque o levantador tem após o passe (Coleman, 2002; Stone, s.d.).

Recepção perfeita (3)

Passe ideal: levantador pode usar todas as opções de ataque do sistema.

Benefício: correlaciona-se com maior chance de side-out e ataque organizado; meta para líberos e recebedores.

Nota 3

Recepção boa (2)

Passe jogável com opções de ataque, porém com alguma limitação tática.

Benefício: equilíbrio entre volume e qualidade; melhorar passes “2” para “3” tem alto impacto na eficácia do ataque (Coaching Volleyball, 2018).

Nota 2

Recepção ruim (1)

Passe de emergência: ataque fora do sistema ou bola fácil para o adversário.

Benefício: sinaliza momentos em que o time joga reativo; útil para treinar leitura de saque e posicionamento.

Nota 1

Erro de recepção (0)

Falha na recepção (ace sofrido, overpass não controlado, bola no chão).

Benefício: cada erro reduz drasticamente a chance de vitória em nível profissional (Peña et al., 2013).

+1 adversário

Ataque

O ataque converte a fase de construção em pontos. A eficiência de ataque — kills menos erros sobre tentativas — é uma das métricas mais usadas em scouting mundial (Stone, s.d.).

Ataque ponto

Finalização que encerra o rally a favor do seu time (kill).

Benefício: principal indicador de produção ofensiva do atleta; base para rankings e destaque em relatórios.

+1 ponto

Largada ponto

Ataque com toque suave (tip/dink) que resulta em ponto.

Benefício: revela leitura de bloqueio e variedade ofensiva; importante em jogadores experientes.

+1 ponto

Bloqueio explorado

Ataque que desvia no bloqueio adversário e cai no chão do outro lado (wipe/ferramenta).

Benefício: mede criatividade sob pressão do bloqueio duplo ou triplo.

+1 ponto

Largada em jogo

Largada ou ataque tático que mantém a bola em jogo sem encerrar em ponto.

Benefício: diferencia tentativas de quebra de ritmo das finalizações; útil em análise tática detalhada.

Continuidade

Erro de ataque

Ataque para fora, na rede ou outra falta que concede ponto ao adversário.

Benefício: reduzir erros é tão importante quanto aumentar pontos — entra direto na eficiência de ataque.

+1 adversário

Ataque bloqueado

Ataque devolvido pelo bloqueio adversário sem gerar ponto para seu time.

Benefício: indica necessidade de ajuste de leitura, velocidade de braço ou combinações contra o bloqueio rival.

+1 adversário

Tentativa de ataque

Ataque que mantém o rally sem ponto nem erro terminal.

Benefício: define o denominador das taxas de aproveitamento e eficiência.

Continuidade

Ataque simples

Ataque em bola fácil ou sem pressão (free ball, transição confortável).

Benefício: mede aproveitamento em situações que o time “precisa converter”.

Continuidade

Proteção de ataque

Cobertura após o ataque do próprio time, recuperando bolas defletidas.

Benefício: avalia trabalho coletivo e atitude dos atacantes após a finalização.

Continuidade

Bloqueio

O bloqueio é defesa na rede com potencial de ponto imediato. Em mundiais masculinos, erros de bloqueio e pontos de saque aparecem entre os fatores que mais separam vitórias e derrotas (João et al., 2010).

Bloqueio solo

Um bloqueador fecha o ataque adversário e marca ponto.

Benefício: destaca centrais e opostos com leitura individual excelente.

+1 ponto

Bloqueio assistido

Dois ou mais bloqueadores participam do ponto de bloqueio.

Benefício: mede sincronia da rede e trabalho em conjunto.

+1 ponto

Bloqueio ponto (stuff)

Bola bloqueada retorna ao lado adversário e cai para ponto.

Benefício: indicador de domínio na rede em momentos decisivos.

+1 ponto

Ponto de bloqueio

Registro alternativo de ponto via bloqueio conforme fluxo de coleta.

Benefício: consolidado nos relatórios de bloqueios e pontos na rede.

+1 ponto

Erro de bloqueio

Toque na rede, invasão ou falta no bloqueio que dá ponto ao adversário.

Benefício: disciplina na rede; erros excessivos custam sets inteiros.

+1 adversário

Cobertura de bloqueio

Recuperação de bola após toque no bloqueio que não encerra o rally.

Benefício: mede continuidade defensiva após leitura parcial do bloqueio.

Continuidade

Levantamento

O levantador distribui o ataque. A qualidade do levantamento após a recepção determina a eficácia do ataque subsequente (Paulo et al., 2016).

Assistência

Levantamento que precede um ataque convertido em ponto (par com ataque ponto).

Benefício: mede criação de oportunidades para o time atacar; essencial para levantadores.

Criação

Levantamento

Distribuição válida sem assistência registrada no mesmo rally.

Benefício: volume de participação e consistência na segunda bola.

Continuidade

Levantamento perfeito / regular / ruim

Avaliação qualitativa da distribuição (precisão, tempo e zona de levantamento).

Benefício: refinamento tático além da contagem bruta; alinha treino de levantador à qualidade do passe recebido.

Qualitativo

Erro de levantamento

Falha na distribuição (bola na rede, fora, infração) que concede ponto ao adversário.

Benefício: evita perda de rallies já “ganhos” na recepção; crítico em bolas difíceis (segunda bola).

+1 adversário

Defesa

A defesa de campo prolonga o rally e alimenta o contra-ataque. Em conjunto com a recepção, sustenta a fase de construção quando o saque adversário é forte (Mittal et al., 2016).

Defesa

Defesa de qualidade: bola levantável para continuidade do rally.

Benefício: principal métrica de líberos e defensores de quadra; correlaciona com resiliência do time.

Continuidade

Tentativa de defesa

Toque defensivo em bola difícil, sem recuperação ideal.

Benefício: reconhece esforço e leitura mesmo quando a bola não volta perfeita.

Continuidade

Erro de defesa

Bola vai ao chão ou erro na dig após ataque adversário.

Benefício: identifica zonas e tipos de ataque que mais castigam a defesa.

+1 adversário

Defesa de ataque

Defesa específica após ataque adversário (contra-ataque defendido).

Benefício: análise de transição defesa-ataque em rallies longos.

Continuidade

Ponto de defesa

Ponto marcado em rally iniciado ou sustentado por defesa de destaque.

Benefício: valoriza defesas que viram ponto na sequência.

+1 ponto

Ponto de líbero

Ponto em que o líbero teve participação decisiva na sequência defensiva.

Benefício: destaca impacto do especialista defensivo além da recepção.

+1 ponto

Rodízio e infrações

Erros de posição, toque na rede e invasão costumam ser decisivos em sets equilibrados. A Stati agrupa esses eventos para coleta rápida na beira da quadra.

Erro de rodízio

Jogador fora da posição regulamentar no momento do contato ou saque.

Benefício: evita perdas “evitáveis”; treinos de rodízio e atenção do mesário.

+1 adversário

Toque na rede (seu time)

Infração de rede cometida pela sua equipe.

Benefício: monitora disciplina na rede em bloqueio e ataque.

+1 adversário

Invasão (seu time)

Jogador invade rede ou quadra adversária irregularmente.

Benefício: histórico para correção técnica em bloqueios e defesas na rede.

+1 adversário

Ações do adversário

Registrar o adversário mantém o placar e a rotação corretos e permite analisar o que o rival fez para marcar pontos — essencial no scout completo.

Ponto do adversário

Ponto genérico do rival quando a ação específica não foi detalhada.

Benefício: placar fiel mesmo com coleta simplificada.

+1 adversário

Ace adversário

Ace sofrido; útil para estudar saque e formação de recepção.

Benefício: planejar recepção contra saqueadores perigosos.

+1 adversário

Ponto de ataque adversário

Finalização adversária que encerrou o rally.

Benefício: mapeia quem mais castiga seu time no ataque.

+1 adversário

Toque na rede / invasão adversário

Infrações do rival que resultam em ponto para seu time.

Benefício: diferencia pontos “concedidos” por falta dos pontos construídos.

+1 ponto

Métricas calculadas nos relatórios

Além da contagem bruta, a Stati calcula índices que resumem o desempenho. Eles seguem convenções amplamente usadas em scouting e permitem comparar atletas, sets e temporadas.

% de aces no saque

Proporção de saques que viram ponto direto. Indica agressividade efetiva no saque.

Aces ÷ (Aces + Erros de saque + Saques em jogo) × 100

% de sucesso no saque

Saques que entram em jogo (aces + em jogo) sem erro — consistência para pressionar o rival.

(Aces + Saques em jogo) ÷ Total de saques × 100

% de aproveitamento no ataque

Quantos ataques terminam em ponto para o time.

Ataques ponto ÷ Total de tentativas de ataque × 100

Eficiência de ataque

Balanço entre pontos marcados e erros; pode ser negativa em jogos ruins.

(Ataques ponto − Erros de ataque) ÷ Total de tentativas × 100

Média de recepção

Média ponderada na escala 0–3 (Sistema Coleman). Valores acima de 2,0 indicam recepção sólida em alto nível.

Soma das notas (3+2+1+0) ÷ Total de recepções

% de defesas

Defesas de qualidade sobre o total de tentativas defensivas registradas.

Defesas ÷ (Defesas + Erros + Tentativas) × 100

% de assistências

Participação do levantador em pontos de ataque do time.

Assistências ÷ Total de levantamentos × 100

Referências bibliográficas

A escolha das escalas e métricas da Stati dialoga com a literatura de análise de performance em voleibol. Consulte as fontes abaixo para aprofundamento.

  1. Coleman, J. E. (2002). Scouting opponents and evaluating team performance. In The Volleyball Coaching Bible (pp. 321–331). Human Kinetics. (Sistema 0–3 de recepção amplamente adotado no scouting.)
  2. Peña, J., Rodríguez-Guerra, J., Buscà, B., & Serra, N. (2013). Which skills and factors better predict winning and losing in high-level men's volleyball? Journal of Strength and Conditioning Research, 27(9), 2487–2493. https://doi.org/10.1519/JSC.0b013e31827f4dbe
  3. João, P. V., Mesquita, I., Sampaio, J., & Moutinho, C. (2010). Game-related volleyball skills that influence victory. Journal of Human Kinetics, 24, 31–38. PMC4120451
  4. Mittal, A., Mesquita, I., & Afonso, J. (2016). Predicting volleyball serve-reception. Frontiers in Psychology, 7, 1694. https://doi.org/10.3389/fpsyg.2016.01694
  5. Paulo, C., Zaal, M., Fonseca, S., & Araujo, D. (2016). Effects of serve and serve-reception on elite volleyball attack efficacy. International Journal of Performance Analysis in Sport. (Recepção e levantamento como determinantes do ataque.)
  6. Stone, J. (s.d.). “Not everything that can be counted, counts” — Coleman system and attack efficiency. Jim Stone Consulting
  7. Coaching Volleyball (2018). Deeper serve reception analytics. coachingvb.com
  8. SportsEdTV. Options when evaluating serve receive in volleyball. sportsedtv.com

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